Cansados da insegurança e dos furtos frequentes, moradores do bairro Mata do Jacinto e da região do Prosa decidiram agir por conta própria. Por meio de um grupo de segurança pública, eles se mobilizaram para construir um canil na 3ª Delegacia da Polícia Civil de Campo Grande, garantindo a chegada de um cão policial que agora auxilia o trabalho das forças de segurança locais. A ideia surgiu quando os moradores souberam que a delegacia receberia o animal da corporação, mas que a instalação dependia da construção de um canil adequado. Entre abril e maio deste ano, os integrantes do grupo de WhatsApp “Guardiões do Prosa” organizaram uma vaquinha e arrecadaram quase R$ 10 mil, suficientes para bancar toda a obra. Segundo Elias Camilo, administrador do grupo Guardiões do Prosa, a iniciativa foi o jeito de não perder o reforço no combate ao crime. “A Polícia Civil ganhou um K9 e precisava de um canil apropriado para ele. Sabendo que a gente tem um grupo de segurança do bairro, eles pediram nossa ajuda. Se fôssemos esperar o poder público, nós íamos perder esse reforço contra os traficantes da região”, contou. Os cães policiais, conhecidos como K9, são treinados para atuar em patrulhas, farejar drogas e explosivos, localizar pessoas e proteger equipes em operações. Após a construção do canil, a 3ª Delegacia enviou uma mensagem de agradecimento no grupo de segurança, informando que o animal concluiu meses de treinamento e já está em atividade, realizando ações de patrulha. A mobilização dos moradores também reflete o medo e a insatisfação com a escalada de furtos. Uma moradora de 50 anos relatou que quase teve a casa invadida no último dia 22 de outubro, quando um homem subiu no telhado de uma casa abandonada para entrar nas residências próximas ao Terminal Nova Bahia. “Quando isso aconteceu, eu não estava em casa; o ladrão chegou a entrar no quintal, mas os vizinhos vieram e afugentaram o homem que pulou o muro. Eu e os vizinhos já fomos furtados no bairro; nem em nossa casa nos sentimos seguros aqui. Quando fica à noite, eu já me tranco dentro de casa”, contou. Outro morador, empresário e residente há 25 anos na região, afirmou que a presença de usuários de drogas no Carandiru, um condomínio invadido próximo ao bairro, tem aumentado a sensação de insegurança. “Usuários de drogas que ficam no Carandiru pulam os muros das casas para tentar furtar bicicletas e todo tipo de bem material. Isso traz insegurança, porque, a qualquer momento, você pode ter a casa invadida e ser roubado. O pessoal sai para trabalhar e, quando volta, seu imóvel está revirado; isso acontece durante o dia e à noite também”, relatou. O empresário contou que sua casa já foi invadida no ano passado, quando furtaram equipamentos eletrônicos usados em seu trabalho. Ele também denunciou o acúmulo de lixo deixado por usuários de drogas em uma calçada próxima. “Na Rua Areti Deligeorges, eles estão transformando o local praticamente em um depósito de lixo; os usuários pegam o lixo em frente às residências para revirar e tentar encontrar alguma coisa. Quando não encontram nada, levam o material para esse ponto, abrem o saco ali e jogam o conteúdo no chão”, descreveu. De acordo com Elias Camilo, mais de mil pessoas participam de cada um dos três grupos de segurança criados no WhatsApp para compartilhar informações, fotos e vídeos de ocorrências. Policiais e guardas municipais que atuam na região também fazem parte dos grupos. Ele acrescenta que os moradores organizaram um abaixo-assinado com 2.100 assinaturas, pedindo uma solução definitiva para as famílias que vivem no Carandiru. “Queremos que as autoridades resolvam o problema, deem uma casa digna às famílias do Carandiru e que se destrave, no Ministério Público, o processo com uma solução de moradia”, reforçou. A pressão surtiu efeito, mas bem pontual, Na última quarta-feira (29), cerca de 30 agentes realizaram uma operação no local para investigar denúncias de tráfico e furtos,mas sairam de lá com quase nada. Durante a vistoria, um homem de 40 anos foi preso por receptação e furto de energia. Também foram apreendidos dois carros e uma moto com documentação irregular, uma pequena porção de maconha e pasta base, além de máquinas e ferramentas sem comprovação de origem.


