Designer de sobrancelhas presa trocou de celular na véspera de ação contra o CV

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Alvo da operação Contenção deflagrada pela PCERJ (Polícia Civil do Rio de Janeiro), a designer de sobrancelha Bruna Paola Martins de Freitas, 33 anos, sumiu com o celular um dia antes da ação que cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão na manhã desta sexta-feira (29). Ela foi capturada por equipe da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) na Moreninha IV, em Campo Grande. Bruna é o único alvo da ação em Mato Grosso do Sul. Ela teve as contas bloqueadas na quinta-feira (28) e, ao perceber a ação judicial, trocou de aparelho telefônico. Na manhã desta sexta-feira, quando teve as ordens de busca e prisão cumpridas, estava com um celular novo, que foi apreendido. O antigo ainda não foi encontrado. Ao Campo Grande News , a defesa de Bruna Paola contesta a prisão e a inclusão de seu nome no organograma do Comando Vermelho. Segundo o advogado Rodrigo Martins, a acusação é baseada em um fato isolado de 2022 e carece de "nexo e contemporaneidade". De acordo com o defensor, o nome da designer foi incluído na investigação após Relatórios de Inteligência Financeira rastrearem todas as transações de um homem identificado como Daniel, apontado como integrante do núcleo da facção no Rio de Janeiro. Entre os repasses, havia uma única transferência de R$ 30 mil para Bruna. "A acusação contra ela é sem nexo. Foi uma transação financeira de 2022 de um rapaz que eles dizem ser do núcleo lá do Rio de Janeiro, mas não tem prova alguma de conversa ou ligação, somente essa transação. Como ela já trabalha com compra e venda de carros e motos, provavelmente a transação comercial foi disso", afirmou o advogado. O advogado ainda criticou a associação automática feita pelos investigadores fluminenses pelo fato de Bruna residir em Mato Grosso do Sul. "Através disso ligaram, talvez por ser uma região fronteiriça, alegando que ela tinha ligação com o outro lado. O escritório já está trabalhando diretamente em um pedido de liberdade para ser juntado ao processo principal", completou. Conforme apurou o Campo Grande News , Bruna é viúva de Elias da Silva Maldonado, apontado como líder do bando que invadiu uma casa no Recanto do Rouxinóis e roubou R$ 180 mil em joias em 6 de agosto de 2014. O homem acabou sendo executado com tiros na cabeça em julho de 2024 na frente de casa na frente da então esposa. Esquema A investigação apontou que o Comando Vermelho montou uma "engrenagem financeira corporativa" que misturou o tráfico de drogas, o roubo de cabos de cobre e empresas de fachada para movimentar R$ 453 milhões em 16 meses. Além da designer em MS, o esquema envolveu alvos no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Maranhão. Segundo a Polícia Civil, um dos principais alvos é Antônio Ilário Ferreira, o “Rabicó”, apontado como chefão do Comando Vermelho no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ). Ele dava as ordens de onde o dinheiro deveria ser aplicado. Interceptações telefônicas mostraram Rabicó mandando pagar desde suas despesas pessoais até contas de fornecedores de armas de grosso calibre e carregamentos de drogas. Outro responsável pelo esquema é Alex Sandro Ferreira de Araújo, o “Tek”. Ele gerenciava contas bancárias de passagem, abria empresas de fachada e coordenava laranjas para que o dinheiro de Rabicó entrasse no sistema bancário sem chamar a atenção do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Ainda de acordo com a investigação, o esquema tinha duas principais fontes de receita ilícita: o tráfico de drogas e os crimes patrimoniais, com a rede de captação de cabos de cobre e materiais metálicos roubados. O dinheiro arrecadado com o crime era entregue a gerentes de ferros-velhos e empresas de reciclagem que emitiam notas frias simulando vendas ou através de transferências entre as empresas do próprio esquema e depois os valores iam para a conta do operador financeiro. A investigação apontou que a movimentação financeira dessas empresas foi de milhões. O CCR (Centro de Reciclagem) movimentou mais de R$ 9,1 milhões; a Ebrafios/Jornal Corporativo S.A. movimentou mais de R$ 4 milhões; a Indústria e Comércio de Metais Pequi Ltda. movimentou mais de R$ 3,7 milhões; a ANS Reciclagem Ltda. movimentou mais de R$ 2,1 milhões; a Metalpronto Indústria e Comércio movimentou R$ 982 mil; e a Metais Rainha Comércio de Materiais Ferrosos movimentou R$ 230 mil. Depois que o dinheiro passava pela "limpeza" nas contas das recicladoras, ele tinha destinos bem específicos, como a compra de imóveis de luxo, carros, motos e joias para os líderes e seus familiares. Além disso, o dinheiro era investido em aplicações financeiras tradicionais e criptomoedas para proteger o capital contra bloqueios judiciais e era usado para financiar a facção na compra de mais drogas e armamento pesado, a fim de manter o domínio territorial do Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Por ser uma estrutura que movimentava quase meio bilhão de reais, a facção pulverizou seus alvos estrategicamente por estados fronteiriços e grandes centros financeiros. As contas bancárias de passagem e os laranjas eram distribuídos por Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Maranhão. Até o momento, 17 pessoas foram presas. Além de Bruna, a esposa de Rabicó, Raquel Neves dos Santos Mendonça e o pai dela foram capturados no Rio de Janeiro. Os outros alvos não tiveram os nomes divulgados.

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