Primeiro jogo com o Brasil no mata-mata da Copa do Mundo, a partida desta segunda-feira (29) contra o Japão não tem empolgado tanto a compra de camisetas para torcer pela seleção quanto as primeiras disputas. Os ambulantes com quem a reportagem conversou pela manhã dependem de uma vitória, pelo menos, para lucrarem mais em cima de investimentos de até R$ 50 mil feitos com as mercadorias e até para darem destino ao que sobrou no último mundial. A vendedora Cláudia Cristina Amaro, 48 anos, não havia feito nenhum cliente até as 10h. Ela chegou às 7h30 trazendo algumas camisetas da última Copa que ficaram encalhadas após a eliminação da seleção, já que as novas foram todas vendidas nos primeiros jogos e o lucro esperado foi garantido. Ela só pretende ir atrás de mais estoque caso o Brasil avance hoje. Ela montou um ponto na Avenida Costa e Silva, perto da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). A camiseta tamanho adulto custa R$ 50 e a infantil, R$ 35. O conjunto infantil com bermuda fica R$ 50. As cores disponíveis são preta, amarela e azul. "Hoje, o movimento está parado e ontem também estava. Acredito que seja por causa do fim de mês. Foi ótimo no primeiro jogo porque era começo de mês, vendi 150 camisetas", fala Cláudia. Pela experiência dela, partida ganha significa mais vendas logo após. Ela se considera boa vendedora. "Vendo cosméticos, maquiagem e semijoias o resto do ano", conta. A expectativa é vender as cerca de 200 camisetas que ainda restam. "Se o Brasil ganhar, os ambulantes vão vender toda mercadoria", cogita. R$ 50 mil – Dois ambulantes que revelaram o valor do investimento inicial foram Roberto Aparecido Borges, 49 anos, e Elenice Camilo, 52 anos. Ambos investiram R$ 50 mil e já recuperaram o valor, mas dependem de que a seleção ganhe para o trabalho realmente valer a pena. Roberto e Elenice confirmam que as vendas costumam ser até melhores após uma vitória. Ele, que estava num ponto da Avenida Afonso Pena próximo ao Shopping Campo Grande, veio de Maracaju só para vender camisetas. Ele é guia turístico na cidade onde mora. O guia vendeu camisetas nas últimas 10 Copas do Mundo. Obteve o investimento de volta nos primeiros jogos. Apenas no primeiro, conseguiu R$ 10 mil. "Hoje, queria fazer R$ 50 mil, mas acho que vou fazer de R$ 5 mil a R$ 6 mil", afirma. O varal montado por ele tem 200 camisetas expostas, com preços que vão de R$ 30 a R$ 130. Ao contrário de Cláudia, Roberto está vendendo bem. Quem está comprando mais hoje são as mulheres, "já que os homens já compraram as deles nos primeiros jogos", diz. Ele e a esposa chegaram às 6h. Se o Brasil vencer hoje, Roberto promete raspar o cabelo para dar sorte à seleção e para as suas próprias vendas também, claro. "Essa Copa lembra a Copa de 1994, em que o Brasil foi desacreditado no começo, mas terminou campeão. O Brasil tem tudo para ganhar novamente, a chance é grande", comenta. Ele aposta no 3 x 0 contra o Japão e está confiante no talento de Vini Jr. Elenice está num ponto próximo ao de Roberto, mas de frente ao Parque das Nações Indígenas. Os preços da mercadoria dela variam de R$ 50 a R$ 120. "A expectativa de hoje é completar o lucro dos R$ 50 mil que a gente investiu. Nos primeiros jogos vendemos mais ou menos R$ 25 mil", diz. A ambulante está satisfeita com o movimento de horas antes da partida. "Graças a Deus, está bom. Espero não voltar com nenhuma dessas aqui pra casa", conta. Ela trouxe 150 camisetas. Elenice pretende ficar no local durante o jogo. Ela tem R$ 20 mil em mercadorias em casa, ainda, e acredita que rapidinho vai vender tudo. O palpite de hoje é no 2 x 0.

