Gecoc aponta que fraude na saúde foi exportada para mais 2 prefeituras

Brasil Geral Mato Grosso do Sul Notícias Últimas notícias

Investigado desde julho de 2025 e alvo da 2ª fase da Operação Auditus ontem, esquema de fraude em serviços de saúde teria se irradiado de Nioaque para a vizinha Guia Lopes da Laguna e Bela Vista, na mesma região. A constatação é do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), que prendeu cinco pessoas e aponta rombo de R$ 4 milhões em Nioaque. A decisão que autorizou a operação, assinada pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, informa que o esquema criminoso não se limitou ao município de Nioaque, tendo se estendido para as outras duas prefeituras. Em Guia Lopes da Laguna, a diretora do Departamento de Programas de Saúde e o secretário municipal de Saúde, Ademir Souza Almeida, o Ademir Biu, teriam solicitado cotações destinadas a embasar um processo administrativo para contratação de serviços médicos. Conforme a investigação, tratava-se de ajuste prévio e alinhamento de condutas com o propósito de fraudar o processo administrativo em Guia Lopes da Laguna, direcionando em favor da empresa Prontomed Clínica Médica (atual Policlínica Rota Bioceânica), localizada em Jardim. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços da diretora e do secretário. Levantamento da reportagem no Portal da Transparência da Prefeitura de Guia Lopes da Laguna localizou pagamentos de R$ 944.846 para a clínica entre os anos de 2022 e 2025. Os contratos custearam exames de raio-x e emissão de laudo, exames cardiológicos, atendimento de pediatria, ortopedia e prestação de exames de ultrassonografia em UBS (Unidade Básica de Saúde) de Guia Lopes da Laguna. Os pagamentos foram em 2022 (R$ 270.948,00), 2023 (R$ 306.539,00), 2024 (R$ 211.452,00) e 2025 (R$ 155.907,00). No município de Bela Vista, a expansão teria começado a ser articulada em dezembro de 2024. Conforme a investigação, Tatiane Grubert, gerente administrativa da clínica, procurou uma terceira pessoa para conseguir oferecer proposta de serviços da Prontomed para a prefeitura. Tatiane teria apresentado proposta semelhante àquela utilizada em Nioaque, que, segundo a investigação, teria sido aceita. ‘Tendo a investigada Tatiane Grubert orientado a investigada Jameire obre a condução do processo administrativo para garantir o êxito da empresa Prontomed, utilizando-se do mesmo modus operandi e dos expedientes utilizados para obter sucesso nos processos licitatórios de Nioaque, notadamente mediante a manipulação de documentos e o ajuste prévio de atos administrativos com o objetivo de direcionar o certame”, informa a decisão. Jameire Luzia Francisca dos Santos foi secretária municipal de Saúde em Bela Vista, no período de 1º de janeiro de 2025 a 16 de setembro do ano passado. Ela foi alvo de busca e apreensão. Conforme a Prefeitura de Bela Vista, a empresa mencionada nas investigações não tem e nunca teve contrato com o município. Portanto, não realizou prestação de serviços ou recebeu pagamentos da administração municipal. "Também é importante destacar que não houve cumprimento de mandado de busca e apreensão na sede da Prefeitura Municipal de Bela Vista ou em suas dependências administrativas", informa nota enviada à reportagem. O Campo Grande News não conseguiu contato com a Prefeitura de Guia Lopes da Laguna e nem com secretário e a ex-secretária citados. Nioaque – Com a primeira fase em julho de 2025, a investigação verificou fraudes em licitações realizadas pela Prefeitura de Nioaque, que tiveram como objeto a contratação da Prontomed Clínica Médica para a prestação de serviços por meio de consultas, exames e procedimentos médicos. O gasto com serviços médicos teve aumento de 1.713% no período das contratações fraudulentas, de 2022 a 2025, ao passo que o total de 83% dos exames e consultas pagos pela prefeitura de Nioaque foram simulados pelo grupo criminoso, composto por agentes públicos e privados, mediante a falsificação de documentos. O prejuízo aos cofres públicos do município é calculado em R$ 4 milhões. O relatório da Operação Auditus destaca que a investigação se deparou com listas fraudulentas de pacientes e, inclusive, bebê de 11 meses e dois mortos assinaram a lista de atendimento. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *