Com R$ 1,9 bi, LHG quer ampliar porto para embarcar 15 milhões de toneladas

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Com investimento estimado em R$ 1,91 bilhão, a LHG Mining pretende ampliar o TPGC (Terminal Privativo Gregório Curvo), em Corumbá, para alcançar capacidade de embarque de 15 milhões de toneladas de minério por ano. O projeto reforça o caráter multimodal da estrutura ao ampliar a integração entre o transporte ferroviário e a Hidrovia do Paraguai, com a carga chegando ao terminal por vagões e deixando o complexo em barcaças. A capacidade projetada equivale a quase três vezes o volume efetivamente movimentado pelo Gregório Curvo em 2025, quando passaram pelo terminal 5,6 milhões de toneladas de minério, segundo dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). A expansão acompanha os planos da mineradora de aumentar a produção de minério de ferro e manganês em Corumbá nos próximos anos. O empreendimento deu mais um passo neste mês com a assinatura do termo de compromisso entre o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e a LHG Mining Corumbá S.A. para execução da compensação ambiental decorrente da ampliação. Assinado em 14 de agosto, o documento, publicado nesta sexta-feira (21) no Diário Oficial do Estado, estabelece R$ 21,58 milhões em compensação ambiental, valor destinado a unidades de conservação. O termo tem vigência de 48 meses. A medida está relacionada ao processo de LI (Licença de Instalação) nº 486/2025. O documento considera como valor de referência do empreendimento R$ 1.911.513.680 e estabelece grau de impacto de 1,129%. A atividade é enquadrada como porto fluvial com área útil superior a 100 mil metros quadrados. A reportagem procurou a LHG Mining para obter mais informações sobre o projeto, mas não recebeu retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação. Entre os trilhos e o rio Localizado em Porto Esperança, às margens do Rio Paraguai, o Gregório Curvo não é um terminal novo. A operação portuária no local remonta à década de 1970 e hoje integra a estrutura logística utilizada pela LHG para escoar minério de ferro e manganês produzido em Corumbá. Conforme o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) do projeto, a expansão vai além do aumento da estrutura de embarque no rio. A proposta é ampliar a integração do terminal com o modal ferroviário, criando um fluxo praticamente contínuo entre a chegada dos trens e a saída das barcaças. A nova estrutura terá uma pera ferroviária, circuito que permite a circulação dos trens sem necessidade de manobras de retorno, além de virador de vagões, túnel, novo pátio de estocagem, sistema de peneiramento, casas de transferência, 22 transportadores de correia, ponte e novo píer com carregadores de barcaças. A nova estrutura terá capacidade estática de armazenamento de 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro e manganês. A licença de operação vigente, nº 220/2019, citada no RIMA, autoriza armazenamento de 700 mil toneladas por ano no pátio de produtos. O RIMA aponta que os trens carregados de minério entrarão na pera ferroviária e passarão pelo virador de vagões, onde a carga será descarregada automaticamente. Depois, o minério seguirá por transportadores de correia até o pátio de estocagem. Serão sete pilhas de minério no novo pátio. Como ficarão em área descoberta, o projeto prevê unidades aspersoras para controle da poeira. A partir daí, o caminho dependerá do tipo de produto. O minério de ferro granulado seguirá por transportadores de correia para a área de peneiramento antes de chegar ao píer. Já o minério mais fino, chamado de sínter feed, seguirá diretamente para o píer. No local, dois carregadores móveis farão a transferência do minério para as barcaças, completando a conexão entre ferrovia e hidrovia. Ferrovia O modal ferroviário é uma das peças centrais da expansão. O próprio estudo ambiental relaciona a capacidade futura de 15 milhões de toneladas ao aumento da demanda por transporte sobre trilhos e aponta que o novo volume pode tornar economicamente viáveis investimentos para ampliar a capacidade ferroviária. Depois de chegar por trem e passar pelo Gregório Curvo, o minério é embarcado em barcaças e segue pela Hidrovia do Paraguai. Segundo informações apresentadas pela própria LHG durante o seminário "Horizontes da Economia Azul – O Papel das Hidrovias, do Turismo e da Formação Profissional no Desenvolvimento Sustentável em Mato Grosso do Sul", promovido pelo Comando do 6º Distrito Naval da Marinha, em Campo Grande, dos minérios produzidos pela companhia em Corumbá, cerca de 2,5 milhões de toneladas são destinadas ao mercado interno, enquanto o restante segue para exportação. Pela hidrovia, a carga chega ao Uruguai, onde é transferida das barcaças para navios Panamax, com capacidade para até 75 mil toneladas. Em alto-mar, ocorre novo transbordo para embarcações Capesize, com capacidade para até 150 mil toneladas, que seguem para mercados como China e Europa. O RIMA também compara alternativas para transportar os 15 milhões de toneladas anuais. A estimativa apresentada é de emissão de 263 GgCO₂e (gigagramas de dióxido de carbono equivalente) pelo transporte em barcaças, 433 GgCO₂e pela ferrovia e 562 GgCO₂e pelo modal rodoviário. A partir dessa comparação, o estudo considera o transporte fluvial a alternativa de menor emissão para o escoamento a partir do terminal. Mais barcaças no Paraguai O aumento da capacidade do Gregório Curvo também terá reflexos no tráfego da Hidrovia do Paraguai. O estudo estima acréscimo de 0,7 composição fluvial por dia com a expansão. Segundo o RIMA, esse aumento não deverá provocar alterações relevantes na navegação ou competição com outros usos do rio. A frota da mineradora já passa por expansão. Quando iniciou as operações no Estado, a LHG tinha 18 rebocadores e 252 barcaças. Desde então, incorporou outros dez rebocadores e 41 barcaças. Outros 21 rebocadores e 400 barcaças estão em construção, conforme informações apresentadas pelo diretor-geral de Navegação da companhia, Iclair Macarello, durante o seminário da Marinha. A expectativa da empresa é chegar a 2028 com 49 rebocadores e cerca de 700 embarcações. No trecho brasileiro do rio, os comboios normalmente navegam com 12 barcaças por rebocador, podendo chegar a 16 em alguns pontos. No Paraguai, as composições podem alcançar 24 barcaças. Obras incluem dragagem A ampliação também prevê intervenções na área terrestre e no Rio Paraguai. Uma delas é a dragagem para manutenção do calado na região de acesso, manobra e atracação das barcaças. O volume estimado é de 234,6 mil metros cúbicos de material dragado. O material retirado deverá ser encaminhado para uma área de disposição prevista no projeto. Na área terrestre, estão previstas obras de grande porte de terraplenagem. Apenas para implantação da pera ferroviária, são estimados 1,5 milhão de metros cúbicos de aterro, além de outros 162,6 mil metros cúbicos para as demais estruturas. O RIMA aponta ainda intervenção em aproximadamente 66 hectares de vegetação na área diretamente afetada pelo empreendimento. Expansão acompanha aumento da produção O projeto do terminal faz parte de um movimento mais amplo de expansão da LHG em Corumbá. A mineradora pretende chegar a 25 milhões de toneladas de minério de ferro e manganês em 2029, ante 2 milhões de toneladas registradas quando assumiu a operação, em 2022. Atualmente, a companhia processa cerca de 13 milhões de toneladas por ano. Segundo Macarello, a estrutura logística instalada atualmente em Mato Grosso do Sul permite escoar cerca de 35 mil toneladas de minério por dia. O executivo estimou o volume em aproximadamente 1 milhão de toneladas por mês ou 12 milhões de toneladas por ano. Nesse cenário, os 15 milhões de toneladas anuais de capacidade de embarque projetadas para o Gregório Curvo serão uma das peças para absorver o crescimento da produção mineral. O cronograma apresentado no estudo prevê implantação das novas estruturas entre 2026 e 2029, com a operação ampliada a partir de 2029. Durante as obras, a estimativa é atingir um pico de 999 trabalhadores. Já na operação, o efetivo deverá chegar a 218 profissionais. Atualmente são 194, o que representa a previsão de 24 novos postos de trabalho após a expansão.

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