Uma hora antes da abertura dos portões para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), a estudante Karolaine Vitória Garcia Alves, 16 anos, chegava à frente da Uniderp. Depois de dois anos participando como trainee, o medo era chegar atrasada justamente no ano em que a prova é para valer. “Estou bem nervosa, o coração está batendo a mil”, disse Karolaine, que mora no Nova Lima e chegou às 10h ao local. “Mas vou fazer tudo com calma, ler tudo e sair bem tarde”, garantiu. A preocupação com o horário tem motivo. Karolaine conta que perdeu a prova do Pase (Programa de Avaliação Seriada Seletiva), da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), porque chegou atrasada. Desta vez, decidiu não correr o mesmo risco. Apesar da ansiedade, acredita que a experiência das edições anteriores do Enem ajudará a enfrentar o desafio. “A gente prepara o psicológico e já não fica tão nervosa. Estou nervosa, mas não como se fosse a primeira vez, porque já sei como é”. O objetivo é conseguir uma vaga no curso de Direito, escolha que pretende seguir com uma carreira por meio de concurso público. Para enfrentar as horas de prova, comeu antes de sair de casa e levou apenas água e chiclete. A maior preocupação é com a redação. Karolaine já desenvolveu uma estratégia para lidar com a dificuldade. “Quando eu chego na redação, eu faço a introdução, volto para a prova de novo”, explicou. Também aos 16 anos, Kadril José Youssef chegou cedo à Uniderp para evitar o movimento intenso nas proximidades do local de prova. Ele se prepara há dois anos e, assim como Karolaine, já participou do Enem como treineiro. “Sempre chego cedo, tenho medo do trânsito, fica tumultuado, é melhor não arriscar”, afirmou. Kadril também pretende cursar Direito na UFMS e, futuramente, prestar concurso para promotor de Justiça. A escolha tem influência familiar. “Sempre pensei nisso desde pequenininho. Minha família toda é da área do Direito, quero seguir o mesmo caminho”. Mesmo com a preparação, o estudante admite preocupação com algumas disciplinas. “Estou nervoso, acho que minha maior dificuldade é sempre exatas, principalmente Ciências da Natureza”. Para evitar distrações durante a prova, decidiu levar somente água. Ele conta que prefere não comer enquanto responde às questões. “Se ficar mastigando, mastigando, me distrai no meio da prova”. Por isso, fez uma refeição em casa antes de sair. Companhia – Os primos Davi Oliveira e Beatriz dos Santos, ambos de 16 anos, encontraram uma forma de enfrentar a ansiedade do Enem: fazer o caminho até a prova juntos. Os dois participam como trainees, mas passaram o ano estudando e decidiram chegar cedo para evitar imprevistos. “Sim, a gente programou de pegar o Uber juntos, tanto para não perder o horário quanto para ter companhia”, contou Beatriz. A parceria também ajuda a aliviar a tensão antes da prova. “Com certeza, porque a gente conversa, troca uma ideia sobre a prova e vai repassando alguns temas”, disse a estudante. Davi concorda. “Já dá uma risada, descontrai aqui, né? Ajuda a relaxar”. Embora ainda não estejam disputando uma vaga na universidade, os primos levam a experiência a sério. Beatriz conta que a preparação começou há meses. “Olha, a gente está com uma expectativa muito alta, porque a gente tem se preparado o ano inteiro. Então, a expectativa está lá em cima”. Davi prefere aproveitar a oportunidade para conhecer melhor o exame. “Ah, eu estou com uma expectativa boa até, só para treinar, né? Para quando a gente chegar ao terceirão, fazer realmente certinho”. O maior desafio para os dois é a redação, principalmente pela surpresa do tema escolhido. “A gente nunca sabe o que esperar. É como se tivéssemos que recapitular tudo o que já vimos na vida”, resumiu Beatriz. Davi também admite que essa é a parte que mais provoca nervosismo.

