Sair da fazenda para morar na cidade não significou abrir mão do que mais importava para essa família: espaço, liberdade e a sensação de viver perto da natureza. O desafio foi justamente esse transformar uma casa urbana em um refúgio que mantivesse o frescor do campo. E foi a partir dessa ideia que nasceu o projeto assinado pelo escritório BL Arquitetura e Interiores, liderado pelas arquitetas Bethania Breda e Letícia Lima. Ali a intenção não era só estética, o ponto de partida foi o estilo de vida mesmo de um casal. “Eles queriam uma casa espaçosa, confortável, para receber amigos e familiares”, explica Bethania. A mudança para a cidade veio por praticidade, principalmente por conta dos filhos, mas sem abrir mão da essência de onde vieram. Logo na entrada, a casa já entrega o que promete que é o acolhimento. A proposta foi criar um ambiente onde quem chega se sinta pertencente. “A ideia era que as pessoas se sentissem livres, acolhidas e integradas com a natureza”, resume a arquiteta. E essa integração estrutura todo o projeto. O jardim, por exemplo, não é um detalhe, virou o centro da casa. “O que está dentro reflete o que vem de fora: o jardim. Ele é a extensão da casa ou a casa é a extensão do jardim.” Um dos pontos mais marcantes está na área de lazer, onde arquitetura e sensações se encontram. Ali, uma espécie de “aquário” de vidro conecta o spa interno à área externa, com uma cascata que escorre para a piscina. O resultado é um ambiente que lembra um refúgio particular. A ideia veio da própria vivência da família. “Como eles vieram da fazenda, onde os espaços são amplos e abertos, quisemos trazer essa proposta. O som da água, a piscina em tons mais escuros, que remete a um rio, e o vidro no spa criam essa sensação de relaxamento e integração.” Tudo foi pensado desde o início. Mas executar não foi simples. O uso intenso de vidro trouxe desafios como calor e privacidade, resolvidos com brises articulados, que controlam luz e exposição conforme a necessidade. Outro destaque está na escolha dos materiais. Pedra, madeira e concreto aparecem em diferentes ambientes, mas sem pesar. A estratégia foi trabalhar texturas e acabamentos variados. “A pedra foi usada de várias formas: seixos soltos no spa, acabamento mais rústico na fachada, polida e translúcida na sala de jantar, pedra verde no lavabo.” Por dentro, a casa mantém uma estética contemporânea, mas sem abrir mão do aconchego. Ambientes amplos, iluminação natural e integração total reforçam a proposta de bem-estar que, segundo Bethania, é o verdadeiro luxo do projeto. “O ponto principal não é a fachada, mas o jardim interno. A verdadeira ‘ostentação’ dessa casa é o bem-estar. É estar de férias em casa todos os dias.” Com três anos entre projeto e execução, o resultado é uma casa que acompanha o ritmo da família. Cada espaço foi pensado para atender diferentes momentos e idades, criando áreas de convivência e também de pausa. “Criamos ambientes que respeitam as necessidades individuais, mas que também conectam todos.” Se fosse para resumir, Bethania diz que a casa fala sobre um novo jeito de morar. “Hoje, a casa precisa ser um refúgio. Um lugar onde você quer estar, onde se sente bem, onde pode receber ou simplesmente ouvir o silêncio”, finaliza.


