Estado tem 8º maior salário médio entre trabalhadores do país, com R$ 3.589

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Mato Grosso do Sul manteve, no terceiro trimestre de 2025, indicadores sólidos no mercado de trabalho e um desempenho que coloca o estado entre os mais bem posicionados do país em termos de renda. Os dados divulgados nesta quinta-feira (14) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.589. O valor consolida o Estado como a 8ª unidade da federação com maior renda, reforçando uma trajetória de estabilidade econômica em um contexto nacional ainda marcado por desaceleração do crescimento e reajustes inflacionários modestos. O número é considerado estatisticamente estável tanto em relação ao trimestre anterior (R$ 3.568) quanto ao mesmo período de 2024 (R$ 3.540). Em paralelo, o estado apresenta um dos menores níveis de informalidade do Brasil, um componente essencial para a confiança do mercado e para a previsibilidade de renda das famílias. A pesquisa aponta que 448 mil pessoas estavam ocupadas sem qualquer tipo de registro formal no trimestre analisado. Esse contingente representa 31,1% da população ocupada de MS, classificando o estado com a 5ª menor taxa de informalidade entre as unidades da federação. O índice recuou 0,9 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, indicando um movimento consistente de migração para ocupações formais. Entre as capitais, Campo Grande se destaca com a 3ª menor taxa de informalidade do país. Além da renda total anualizada, o rendimento habitual do trabalho principal, que corresponde ao valor médio que o trabalhador recebe de forma regular mês a mês, sem considerar pagamentos esporádicos como bônus, horas extras ou comissões sazonais, ficou em R$ 3.469. O indicador se manteve estável tanto em relação ao trimestre anterior, quando era de R$ 3.459, quanto na comparação com o mesmo período de 2024, quando registrou R$ 3.441. O desempenho coloca Mato Grosso do Sul, mais uma vez, entre os estados com maior capacidade de geração de renda média. O ranking nacional continua encabeçado pelo Distrito Federal, com R$ 5.954, seguido por Santa Catarina (R$ 4.142). Já na outra extremidade estão Maranhão (R$ 2.132) e Bahia (R$ 2.222). Desigualdades – Apesar do bom posicionamento geral, o levantamento reafirma que desigualdades de gênero seguem firmes. Homens sul-mato-grossenses receberam, em média, R$ 3.981, enquanto mulheres receberam R$ 3.083 uma diferença de 29,1%. Embora essa lacuna seja compatível com a média brasileira, ela reforça um desequilíbrio estrutural que se repete em todas as faixas de escolaridade e setores. Na prática, mulheres nivelam rendimentos mais baixos mesmo em posições semelhantes, e sua participação mais intensa em setores como serviços domésticos e atendimento também contribui para uma média geral menor. O levantamento também evidencia expressivas diferenças segundo cor ou raça. Pessoas que se declaram brancas têm rendimento médio de R$ 4.258. Já pessoas pardas recebem R$ 3.105, e pretas, R$ 3.090. Isso significa que a renda média de trabalhadores pardos é 37,8% menor do que a de trabalhadores brancos. No caso da população preta, a diferença é praticamente a mesma. Essa desigualdade guarda relação com o acesso desigual à educação, à formalização e às ocupações com maior remuneração. Como em todas as edições, a escolaridade se confirma como um dos mais fortes determinantes do rendimento. Em MS, a diferença é expressiva. Quem possui ensino médio completo recebe em média R$ 2.888. Já um trabalhador com ensino superior completo recebe R$ 5.960, uma diferença de 106,4%. A renda avança gradualmente conforme o nível de instrução aumenta, mas o salto mais significativo ocorre precisamente entre ensino médio e superior completo. Esse hiato reforça a importância de políticas de ampliação do acesso à educação superior, especialmente para grupos historicamente marginalizados. Os dados também revelam a forte discrepância entre rendimentos conforme o setor de atuação. Entre os grupos de atividade econômica: Setores com maiores rendimentos: Administração pública, educação, saúde e seguridade: R$ 4.804 Informação, comunicação, finanças, imobiliário e serviços profissionais: R$ 4.663 Agropecuária, pesca e florestal: R$ 3.637 Setores com menores rendimentos: Serviços domésticos: R$ 1.468 Alojamento e alimentação: R$ 2.372 Outros serviços: R$ 2.656 Esses números mostram que setores diretamente ligados à administração pública e às atividades de maior qualificação continuam puxando a renda média para cima, enquanto serviços básicos e atividades altamente informalizadas permanecem concentrando baixos salários. A pesquisa mostra uma divisão clara entre trabalhadores protegidos por vínculos formais e aqueles sem respaldo jurídico ou previdenciário. Rendimentos por posição na ocupação: Setor público: R$ 5.031 Empregador: R$ 7.684 (com CNPJ chega a R$ 7.839) Conta própria com CNPJ: R$ 4.903 Conta própria sem CNPJ: R$ 2.719 Empregado do setor privado com carteira: R$ 2.959 Empregado sem carteira: R$ 2.516 Trabalhador doméstico: R$ 1.468 O contraste é expressivo: um empregador formalizado ganha quase cinco vezes mais que um trabalhador privado sem carteira, e o triplo de um trabalhador com carteira assinada. Já o trabalhador doméstico permanece como o grupo mais vulnerável do mercado, com forte presença feminina e baixos níveis de formalização. Quando observados os grupamentos ocupacionais, as disparidades ficam ainda mais evidentes. No topo da pirâmide, diretores e gerentes recebem R$ 8.202, mais de duas vezes a média estadual (R$ 3.469). Profissionais das ciências e intelectuais alcançam R$ 6.195, e membros das forças armadas e policiais chegam a R$ 6.551. Na base da estrutura ocupacional, as rendas são bem inferiores: Ocupações elementares: R$ 1.773 Trabalhadores dos serviços e comércio: R$ 2.582 Apoio administrativo: R$ 2.699

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