“The Miranda Estancia Company Ltda.” é o nome de uma gigantesca fazenda pertencente a investidores da Inglaterra no coração do Pantanal do Mato Grosso do Sul. Por estranho que pareça, o povo a chamava de “Fazenda do Franceses”. Faziam confusão com outra fazenda vizinha dos ingleses que realmente pertencia a franceses. Tinha mais de 200.000 hectares destinados à criação de bovinos. O “passatempo” era caçar onças. Miranda era uma festa! A fazenda foi, por longo tempo, administrada por Raul Nessheim, um norueguês oriundo do Paraguai. Ele praticamente se assenhorou da fazenda. A administração era precária, suscitando inúmeras controvérsias com os proprietários ingleses, devido à baixíssima lucratividade. A diversão fazia parte de seu cotidiano. Há quem diga que, tal com a Paris dos pintores impressionistas, Miranda era uma festa! Já desde essa época, a fazenda era chamada de “Estância Miranda”, para os brasileiros. Muita gente, do Brasil e do Exterior, ia para lá participar das festanças. A festa era caçar onça. Como toda festa, um dia a mamata acaba. E acabou! Os judeus da floresta. Klabin é nome de judeu da Lituânia. A família tinha longa tradição em viver e cuidar de florestas em seu país. Fugindo de um dos “pogroms” perpetrados pelo czar russo da época, vieram para o Brasil. Construíram a primeira grande fábrica de celulose do país. Logo a seguir, com vários associados, adquiriram a “Estância Miranda”. Resolveram o problema da péssima administração e passaram a ter consideráveis lucros com a criação de gado. Mas como são empresários e não trogloditas, não dispensam os lucros mas preservam o ambiente onde eles são criados. Uma de suas primeiras mudanças foi proibir a caçada de onças. Os primeiros a proteger onças no Pantanal? Me falta tempo para melhor pesquisa, mas é bem possível que tinha sido a primeira fazenda no MS a não admitir o abate desses belíssimos felinos. Atualmente, é um paraíso de onças, recendo visitantes de todo o mundo. A mais interessante foi a visita do príncipe Harry da Inglaterra, um dos que estão prestes a perder as benesses da nobreza. As onças, certamente, não simpatizaram com o nobre.


