Falta de ônibus garantiu lucro extra a motociclistas

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Passageiros que precisavam do transporte coletivo para trabalhar e não tinham condições de pagar por um carro de aplicativo ou carona recorreram a motociclistas para se locomover nesta manhã diante da paralisação total dos motoristas e cobradores. A arrecadação de uma manhã inteira em dias normais já foi superada nas primeiras horas. A reportagem conversou com motociclistas na região central e ouviu relatos de corridas longas, trazendo pessoas dos bairros. Foi o caso de Wagner dos Santos, de 31 anos, cadastrado no Uber. Ele deixava uma passageira que havia embarcado no Aero Rancho e desceu na Avenida Afonso Pena, região da Prefeitura de Campo Grande. O motociclista contou que em um dia normal, acumularia cerca de R$ 100 em uma manhã, valor que já havia ultrapassado por volta das 9h, considerando a elevação dos preços e aumento da procura. “Vou rodar o dia todo para aproveitar. Como ando dia todo em toda a cidade, dá para tirar uma grana bem boa.” A passageira, Jaqueline da Silva disse que tentou fazer o trajeto de carro de aplicativo, mas não conseguiu. Ela disse que pagou R$ 40. “Mas a empresa vai pagar esse valor depois. Já estávamos preparados e empresa havia avisado que vai ressarcir.” Ela e o marido são usuários do transporte coletivo no dia a dia e hoje ambos seguiram de carona de moto para trabalhar. Felipe Torto também comemorou o movimento adicional. Motoentregador, de 28 anos, ele contou que tem muitos contatos e passou a receber chamadas para o transporte. Em um dia normal ele diz que cobraria R$ 15 por uma corrida, mas hoje estava recebendo R$ 20. “Hoje tinha alta demanda”. Logo cedo ele já havia conseguido acumular o que receberia num dia inteiro. Felipe contou que trabalha há três anos com a motocicleta. “Dá para tirar uma grana boa”. Já o mototaxista Lucimar Raimundo, que fica em um ponto central, na 14 de Julho, na Praça Ary Coelho, não recebeu uma demanda adicional de pedidos no aplicativo e não atendeu corridas extras, o que sugere que a greve acabou favorecendo aqueles motociclistas que estavam em bairros. Greve- Na semana passada, funcionários das empresas do transporte coletivo na Capital decidiram iniciar greve porque estavam sem data para receber o salário. O Consórcio Guaicurus liberou 50% do valor e atribuiu o atraso à falta de repasses da Prefeitura de Campo Grande, que paga um valor adicional por passagem vendida aos usuários, a chamada tarifa técnica, o que a Administração Municipal nega. As empresas ingressaram com uma ação na Justiça do Trabalho e obtiveram uma liminar às 22h de ontem, determinando que pelo menos 70% das pessoas permaneçam trabalhando, por se tratar de um serviço essencial, com a fixação de multa diária de R$ 20 mil por descumprimento.

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