A criação de corredores ecológicos no Pantanal tem avançado como uma nova estratégia de conservação ambiental e já conecta cerca de 430 mil hectares no bioma. A iniciativa é liderada pela ONG Onçafari, que aposta na compra de áreas privadas e no engajamento de proprietários rurais para preservar regiões consideradas estratégicas. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, na edição deste domingo, o fundador da organização, Mario Haberfeld, explicou que o modelo parte da aquisição de fazendas com alto grau de preservação, mas sob risco de desmatamento. Um dos exemplos citados é a área conhecida como Santa Sofia, vizinha à pousada Caiman, no Pantanal em Miranda, que poderia ter até 55% da vegetação suprimida dentro da lei, caso fosse destinada à pecuária. Segundo Haberfeld, a compra da área evitou o desmate e deu início à formação de um corredor ecológico na região. A partir dessa base, a estratégia consiste em envolver propriedades vizinhas, ampliando a área contínua de conservação e formando grandes blocos preservados. O fundador explicou ao jornal que, para viabilizar o projeto, foi criada a Aliança 5P (Pantanal, Preservação, Parcerias, Pecuária e Produtividade), que reúne proprietários e investidores interessados em conciliar conservação ambiental e atividade econômica. Segundo Haberfeld, a proposta não é se opor à pecuária, mas reconhecer que determinadas áreas têm vocação prioritária para preservação. Além da proteção da fauna e flora, os corredores ecológicos são considerados essenciais para a sobrevivência da onça-pintada, espécie símbolo do bioma. Como predador de topo da cadeia alimentar, o animal depende de grandes territórios contínuos e de um ecossistema equilibrado para se manter. Ainda conforme o fundador da ONG, a iniciativa busca criar um efeito multiplicador, estimulando outros proprietários a aderirem ao modelo de conservação. A expectativa é que a formação desses corredores ajude a conter a fragmentação do habitat e fortaleça a resiliência do Pantanal diante de pressões como desmatamento e mudanças climáticas. Mario Haberfeld explicou que o trabalho realizado na Fazenda Caiman pela Onçafari envolve a chamada habituação das onças-pintadas, um processo em que os animais se acostumam à presença de veículos e pessoas sem se sentirem ameaçados. Segundo ele, a técnica não tem relação com domesticação ou oferta de alimento, mas sim com a repetição controlada de situações em que a onça percebe que os safáris não representam risco, passando a agir de forma natural. Com isso, é possível observar os animais em seu comportamento típico, ao mesmo tempo em que se fortalece o ecoturismo na região. Hoje, a organização mantém dezenas de bases de conservação no país e atua diretamente na proteção de grandes áreas naturais, além de influenciar milhões de hectares por meio de parcerias. A expansão dos corredores ecológicos é apontada por Haberfeld como uma das principais frentes para garantir a preservação do bioma a longo prazo. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .


