Após operação, equipe de Razuk exibe galpão vazio onde ficavam os carros de luxo

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Horas após serem alvos de operação da Polícia Civil, em Campo Grande, a equipe de Eduardo Razuk postou um vídeo no feed do Instagram mostrando vazio o galpão onde ficavam carros de luxo ligados ao influenciador. No vídeo, são exibidos os lados interno e externo do espaço, ao som de uma trilha com toque melancólico. Na legenda, o vídeo diz: “Referência para muitos! Família Backstage está junto com vocês! Vocês são fera demais”. O mesmo vídeo foi compartilhado nos stories do perfil de Eduardo e, na publicação, a pessoa que está administrando a página escreveu: “Os meninos estão bem”. O vídeo foi publicado há 13 horas e já soma mais de 70 mil curtidas, quase 4 mil comentários, 1.761 recompartilhamentos e 7.627 compartilhamentos. Em um dos comentários, uma página escreveu: “Vai dar tudo certo, Dudu! Se você fez alguma coisa, fez pensando na possibilidade dos seus fãs ganharem uma Porsche de 99 centavinhos! É nosso Robin Hood”. Outro perfil comentou: “Vão voltar ainda mais forte”. Também houve quem defendesse o influenciador nos comentários. “O único na internet atual que eu acredito ter conseguido tudo isso sem ter coisa errada no meio. Acompanhei cada passo da trajetória, espero que tudo se resolva”, escreveu um usuário. Eduardo Rezende da Silva Razuk e Rafael Rezende da Silva Razuk foram presos em Campo Grande durante operação deflagrada nesta terça-feira (18). A investigação apura um esquema de exploração ilegal de loterias, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão em diferentes estados. Além dos irmãos Razuk, Cícero Fabiano Melo Silva foi preso em João Pessoa (PB) e outro investigado foi preso no Rio de Janeiro (RJ). Também foi cumprido mandado de busca e apreensão em Brasília (DF). Segundo os delegados Ivan Barreira, diretor do Departamento de Polícia Especializada, e Pedro Cunha, as investigações começaram há alguns meses, após denúncias anônimas sobre a realização de rifas e a possível lavagem do dinheiro obtido com os sorteios. “Fomos atrás a respeito da ilegalidade do que estava sendo praticado. Buscamos a extensão do pessoal que participava com eles nesses sorteios”, explicou Ivan Barreira durante coletiva de imprensa. Conforme a investigação, Eduardo realizava rifas pela internet desde 2019, principalmente pelo Instagram e YouTube, onde divulgava os sorteios e comercializava as cotas. Segundo a polícia, a atividade ocorreu sem autorização até os dias atuais. A partir de 2025, de acordo com os investigadores, os suspeitos passaram a buscar mecanismos para dar aparência de legalidade às rifas. Para isso, teriam ampliado a rede de envolvidos, com participação de pessoas de outros estados e empresas responsáveis pela intermediação das operações. A polícia afirma que os investigados montaram uma estrutura para dar uma “falsa roupagem” de legalidade ao dinheiro movimentado. Familiares e empresas também teriam sido utilizados nesse processo. “Eles fazem um processo de forja para conseguir dar aparência de legalidade à operação das rifas”, afirmou um dos delegados. A investigação apura ainda a atuação de uma empresa do Rio de Janeiro que, segundo a polícia, oferecia soluções para sorteios e teria intermediado o contato entre os envolvidos em Mato Grosso do Sul e uma empresa da Paraíba. Conforme os investigadores, esse serviço também pode ter sido utilizado por outros influenciadores no país para dar aparência lícita a valores de origem criminosa. A polícia apura, inclusive, eventual utilização da estrutura para movimentar dinheiro relacionado ao tráfico de drogas e a facções criminosas. O volume financeiro movimentado por Eduardo chamou a atenção dos investigadores. Em apenas seis meses, segundo a polícia, foram identificadas movimentações superiores a R$ 100 milhões. O próprio influenciador afirmava nas redes sociais que conseguia faturar cerca de R$ 1,9 milhão por rifa, com sorteios realizados uma ou duas vezes por semana. “Em um lapso temporal de seis meses, ele chegou a movimentar mais de R$ 100 milhões de reais”, afirmou Pedro Cunha. Durante a operação, os policiais apreenderam veículos, relógios de luxo, celulares e outros dispositivos eletrônicos considerados possíveis fontes de prova. O levantamento do patrimônio ainda não foi concluído. Segundo os delegados, há uma estimativa de que um dos veículos apreendidos esteja avaliado entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Dois relógios de luxo de alto valor também foram recolhidos. Os equipamentos eletrônicos apreendidos deverão passar por análise para identificar outras pessoas que possam ter participado do esquema. Caso sejam encontrados indícios contra novos envolvidos, a investigação poderá ser ampliada. A polícia afirma que as rifas investigadas eram comercializadas pela internet e apresentadas como sorteios de prêmios, mas não possuíam autorização para funcionar como loteria com finalidade lucrativa. Os delegados explicaram que a legislação brasileira permite modalidades específicas de sorteios e promoções em determinadas situações, inclusive com finalidade filantrópica, desde que sejam cumpridas as regras e exista autorização dos órgãos competentes. A investigação continua para identificar todos os participantes, dimensionar o patrimônio obtido com a atividade e esclarecer como os valores eram movimentados e incorporados ao patrimônio dos suspeitos.

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