Justiça manda soltar despachante acusado de liderar fraudes no Detran

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A Justiça de Mato Grosso do Sul concedeu liberdade provisória ao despachante David Cloky Hoffman Chita, réu no processo que investiga um esquema de corrupção e fraudes em vistorias de veículos no Detran (Departamento Estadual de Trânsito). A decisão foi publicada no Diário da Justiça desta segunda-feira (4). David, que chegou a ficar dois anos foragido, acabou preso em dezembro do ano passado por uma equipe da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), em uma casa na Rua 26 de Agosto, na região central de Campo Grande. Na decisão proferida, o juiz substituiu a prisão por medidas cautelares rigorosas. David Cloky deverá usar tornozeleira pelo prazo inicial de 180 dias; está proibido de acessar ou frequentar qualquer prédio do Detran e de manter contato com os envolvidos no caso. O processo tramita em sigilo. David Cloky é apontado como líder do esquema de fraudes que teriam gerado prejuízos milionários. Segundo as investigações, o sistema envolvia a facilitação de vistorias e a regularização irregular de veículos. Ele teve a prisão decretada e passou dois anos vivendo na clandestinidade antes de ser ouvido pela Justiça. Em janeiro deste ano, o despachante foi ouvido em audiência de instrução e julgamento na 3ª Vara Criminal de Campo Grande. Na ocasião também prestaram depoimento a ex-servidora comissionada do Detran Yasmin Osório Cabral, que responde em prisão domiciliar; e os despachantes Hudson Romero Sanches e Edilson Cunha Nogueira. Ainda foram ouvidas testemunhas de defesa e indicadas pelo Ministério Público, responsável pela acusação. O processo corre em segredo de Justiça. Esquema David tem longo histórico criminal e foi condenado na Operação Vostok após roubar propina que seria entregue a um corretor de gado. Ele também foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) junto com os servidores públicos Genis Garcia Barbosa, Eufrásio Ojeda e Abner Aguiar Fabre pelo esquema de fraude no Detran. A investigação começou a partir da regularização de um caminhão, cujo proprietário buscava a exclusão de gravame e a troca do motor. Para o procedimento, contratou o despachante. No cadastro, foram adulterados dados como carroceria, eixo, PBT (Peso Bruto Total), CMT (Capacidade Máxima de Tração) e carga, sem que o veículo tivesse passado por processo regular de alteração de características. As fraudes ocorreram nas agências do Detran em Miranda e Campo Grande. Na Capital, houve alteração da cor do veículo, cancelamento do CRV (Certificado de Registro do Veículo) e emissão de um novo documento. As irregularidades aconteceram entre julho de 2019 e setembro de 2020, com pagamento de R$ 1 mil. Os envolvidos foram alvo da Operação Miríade, deflagrada pela Polícia Civil em 2023.

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