Nestas bandas, o vinho de uva era raro e caro. Mas altamente respeitado. No alvorecer do Mato Grosso do Sul, os benefícios da caminhada começaram a ser descobertos. Aliás, ninguém caminhava mais e melhor que nossos indígenas. Mas o mais importante era a crença generalizada de que o vinho era santo remédio, “pois nem Jesus o recusou”. Recomendado aos doentes. Vinho consagrado por um padre era recomendado aos doentes. Até por São Paulo, o santo que tanto lutou contra os exageros no consumo da bebida, acreditavam os pioneiros desta região. Afinal, o vinho era bebida bíblica. Fazia bem ao estômago, onde se transformava em sangue. Era fundamental para combater a perda de memória. Em bochechos, limpava a boca e fortalecia os dentes. Misturado ao suco de couve, combatia a surdez. Impotência ou vigor? Se, por um lado, o vinho era bebido em excesso gerava impotência, por outro, impotentes deviam banhar seus genitais com vinho para recuperar o vigor. O vinho também era usado para cicatrizar feridas ou como veiculo de medicamentos originários de plantas. Velhice esfria os ossos. Nossos pioneiros acreditavam piamente que a velhice esfriava os ossos, fazendo com que idosos bebessem cada vez mais para se aquecer. Porém, junto com a “bebedice”, como diziam, vinha a preguiça ou a cólera. Em excesso, já entendiam bem, o poder curativo do vinho virava vício. O mais surpreendente, todavia, é que foi dessas crendices que surgiu uma pequena industria do vinho vendido “às medidas”. Quase todos os tratamentos médicos tinham uma dosagem de vinho. Era um vinho detestável e caro, com gosto de remédio mesmo.


