Pelo direito à segurança e a vida livre de violências para as pessoas idosas

Brasil Geral Mato Grosso do Sul Notícias Últimas notícias

Neste 15 de junho, o calendário de lutas se veste de violeta para convocar pessoas de todas as gerações a um pacto de cuidado e defesa da dignidade e das liberdades fundamentais das pessoas idosas. Não se trata apenas de uma data, mas de uma convocação coletiva por acesso a garantias de direitos já assegurados na Constituição Federal e nos marcos legais. Erguemos a voz pela ratificação da Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos Humanos das Pessoas Idosas e reivindicamos que o direito à segurança e a uma vida sem medo, previsto no Artigo 9º, deixe de ser letra no papel e se torne abrigo real. Que o Projeto de Decreto Legislativo nº 863/2017 saia da espera e entre na história, garantindo que o envelhecer seja, acima de tudo, um ato de liberdade. Lutamos para que as velhices não sejam percebidas e compreendidas pelas lentes distorcidas do idadismo estrutural, que isola a pessoa idosa em uma diáspora de invisibilidade e insensibilidade nas instituições e nos territórios. Denunciamos a lógica que sobrecarrega cuidadores e fragiliza as redes de apoio das pessoas idosas, defendendo o investimento no SUS e o SUAS como pilares de uma proteção que não é mercadoria. Envelhecer e desfrutar da longevidade não é diagnóstico de perdas e múltiplas doenças, mas um processo dinâmico, permeado de potências e moldado pelas condições objetivas de vida das pessoas e de suas múltiplas histórias. A luta deste dia reconhece que o envelhecimento é uma construção cultural e social, e que as mais de 37 milhões de pessoas idosas no Brasil exigem ser vistas como legado para o país, atrizes e atoras dotadas de autonomia e protagonismo. A violência se manifesta de muitas formas: na sobrecarga de quem cuida, na fragilidade das redes de apoio e na lógica de uma economia que tenta converter direitos em oportunidades de consumo, tensionando o acesso essencial aos serviços do SUS e do SUAS. Olhar para a velhice com cidadania exige também uma lente interseccional, percebendo que os múltiplos tempos não são iguais para todos; eles se cruzam com as marcas do racismo, do sexismo e das desigualdades de classe e posições sociais, tornando a jornada de mulheres idosas negras e pobres um caminho de exclusões ainda mais acentuadas. Por isso, cabe ao Estado, às escolas e a toda a sociedade promover uma educação que substitua essas lentes distorcidas pelo respeito à diversidade do curso da vida. Que possamos celebrar este dia reafirmando que os múltiplos tempos das velhices, quando protegidas e valorizadas, são oportunidades de aprendizado, de criação, de memória viva e do exercício pleno de uma cidadania que floresce em todas as fases da vida. (*) Leides Barroso de Azevedo Moura é professora do Departamento de Enfermagem da Universidade de Brasília.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *