“Mato Grosso do Sul é o estado que mais apreende drogas no país.” A afirmação do secretário de Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, ajuda a explicar por que Campo Grande virou sede de um debate nacional sobre o dinheiro que sustenta o crime organizado. O encontro acontece nesta terça-feira (5), na Capital, e reúne autoridades da Polícia Federal, Judiciário e Ministério Público. O foco não é a droga em si, nem as prisões. É o que vem junto: o dinheiro, os carros, os imóveis e tudo o que é comprado com recurso ilegal. “Quanto mais rápido nós conseguimos arrecadar esses ativos, mais enfraquecemos essas organizações”, afirma Videira, ao destacar que manter bens apreendidos gera custo alto e trava a resposta do Estado. A discussão acontece em um cenário que o próprio secretário descreve como inevitável. Com fronteira com Paraguai e Bolívia, o Estado funciona como rota de entrada e distribuição de drogas. E isso não vem sozinho. “Uma das maiores fontes de renda do crime organizado é o tráfico de drogas”, diz. Segundo ele, é esse fluxo de dinheiro que alimenta disputas entre grupos e, em muitos casos, acaba refletindo em crimes violentos. Para o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, o problema vai além da violência visível. “O crime hoje não se faz com outro interesse que não o econômico”, afirma. Ele aponta que organizações criminosas, independentemente da atividade, seguem uma lógica parecida: gerar dinheiro e depois esconder esse dinheiro. “São várias técnicas, várias estratégias, muitas vezes replicadas”, explica. O alcance também é mais amplo do que o imaginado. “O crime organizado não está só nas periferias. Está também nos centros financeiros e até dentro do serviço público”, diz o delegado. É justamente esse lado menos visível que está no centro das discussões. A proposta é integrar forças policiais, Judiciário e órgãos de controle para acelerar a recuperação de recursos ilegais e devolver esses valores ao Estado.


