Um dos setores mais diversos da economia brasileira, que reúne desde música e audiovisual até design e games, começa a ser organizado em números. Portaria publicada no DOU (Diário Oficial da União) desta sexta-feira (24) cria o Observatório Celso Furtado de Economia Criativa, com a proposta de reunir e padronizar informações hoje dispersas ou inexistentes. A iniciativa nasce com um diagnóstico claro: apesar do peso cultural e econômico, o país ainda não consegue medir com precisão quem produz, quanto se movimenta e onde estão concentradas as atividades criativas. O próprio texto prevê a produção de “dados, pesquisas, índices e indicadores sobre a economia criativa brasileira”. A estrutura não prevê atendimento direto ao público nem ações imediatas. A ideia é funcionar como uma rede que conecta universidades, pesquisadores, gestores públicos e organizações culturais para trocar informações e construir uma base nacional. Estados, municípios e instituições poderão aderir de forma voluntária. Segundo a portaria, o programa também deve apoiar a formulação, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas, usando os dados levantados como base para decisões futuras. A portaria também prevê a realização de estudos, relatórios, eventos e capacitações voltados ao setor, embora essas ações dependam de execução e recursos ao longo do tempo. Hoje, a falta de dados consolidados é um dos principais entraves para o desenvolvimento da economia criativa. Sem números confiáveis, decisões acabam sendo tomadas no escuro ou com base em recortes limitados. A portaria é assinada pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, e integra uma tentativa de estruturar melhor um setor que cresce, mas ainda é pouco compreendido em sua dimensão econômica e social.

