Viaturas ocupam Água Clara e movimentam endereços ligados à gestão municipal

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A operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), com apoio do Batalhão de Choque, segue movimentando diversos pontos de Água Clara, cidade a 193 km de Campo Grande, na manhã desta segunda-feira (14). Agentes levaram viaturas a endereços ligados à ex-secretária de Finanças Denise Medis, de uma servidora e a um empresário. Os locais onde as viaturas foram vistas são próximos a alvos da Operação Malebolge, realizada na cidade no início de 2025, que apura fraude em licitações. Ainda não há confirmação de que a ação desta manhã tenha relação com essa operação do ano passado. Malebolge – Em fevereiro de 2025, a Operação Malebolge foi deflagrada em Campo Grande, Água Clara, Rochedo e Terenos para desarticular um esquema criminoso que desviou mais de R$ 10 milhões por meio de licitações fraudulentas para a compra de uniformes e outros materiais. A investigação constatou a existência de uma organização criminosa operando em Água Clara e Rochedo, com núcleos distintos, mas interligados por um mesmo modus operandi. De acordo com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), no centro da fraude está um empresário que articulava o esquema, cooptando servidores públicos e contando com o apoio de outros empresários. Servidora da Prefeitura de Água Clara, lotada à época na Secretaria Municipal de Educação, é acusada de ter recebido R$ 15 mil em propina por emitir uma nota fiscal de pagamento, no valor de R$ 200 mil, para um empresário fornecedor de merenda escolar. Conforme o documento, Ana Carla Benette teria pedido R$ 15 mil ao empresário do ramo de alimentos assim que emitiu, em nome da empresa dele, uma nota fiscal de compra de R$ 200 mil, no pregão nº 88/2023, que licitou a aquisição de merenda escolar para o município de Água Clara. “Mas não parece ser só. De acordo com a documentação acostada aos autos, a servidora Ana Carla demonstra ter uma ‘posição-chave’ entre o empresário (…) e demais servidores, inclusive com a secretária de Finanças, Denise Rodrigues, pois os diálogos entre eles apontam para uma suposta distribuição de vantagens ilícitas”, cita o juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande. Ana Carla teria solicitado ao empresário a quantia de R$ 8 mil para ser repassada à secretária Denise, o que ele prontamente fez. Além disso, a servidora parece ter orientado o empresário a entregar menos produtos do que o previsto, de modo a possibilitar a retirada de valores. Ela teria dito a ele para enviar apenas 50 caixas de folha sulfite: “Diminui cinquenta caixas aí, porque eu vou precisar pegar outro valor, entendeu? Aí não vai dar, vai ficar muito alto; a Denise vai me matar ( sic ).” A reportagem do Campo Grande News tentou contato com a prefeita Gerolina Alves, mas as ligações foram direcionadas para a caixa de mensagem.

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